sábado, 10 de dezembro de 2016

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Por vezes escrevo com o mesmo pavor
do pai natal quando se anuncia ao próprio filho.
Esperamos não ser descobertos por detrás destas
barbas postiças, deste olhar derreado. Partilhamos
a mesma gota de suor na testa, o mesmo
vermelho, o mesmo presente envenenado.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Cais doente na cama e pensas, ainda bem
que não é grave. Cais da cama desperta e
pensas, ainda bem que não é rijo. Cais do
chão lá para cima e pensas, ainda bem que
não é real. E nesse momento a febre
desaba.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

No Natal

Os reis magos atravessam o deserto,
tu vagueias pelo Colombo. Cada um
paga o preço do seu sentimento. O que ofereces
é colorido e apita mas aquilo que sentes
é mudo, como uma duna de areia.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Do céu cai a chuva no Inverno,
            caem as folhas no Outono,
            e cai o meu coração em qualquer
            estação. Basta que o teu tempo
            seja um não.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O tornar-se

Agora que estou no fim dos meus dias, metido no meu buraco, escarneço de mim próprio e consolo-me com essa certeza, tão biliosa como inútil, de que um homem inteligente não pode tornar-se nada, só os parvos se tornam alguma coisa. Um homem inteligente do século XIX deve, acha-se na obrigação moral, de ser uma criatura essencialmente sem carácter; um homem possuidor de carácter, um homem de acção, é uma criatura essencialmente limitada. Essa crença tem quarenta anos. Eu tenho agora quarenta - e quarenta anos é toda uma vida (...)

in "Cadernos do Subterrâneo", Fiódor Dostoiévski