domingo, 15 de novembro de 2015

Maturidade

Augusto M. Seabra perguntou a Nanni Moretti se o conceito de maturidade tinha hoje algum sentido para ele. Este disse-lhe que maturidade enquanto mudança radical não, nem enquanto serenidade. Talvez como maior tolerância, admitiu. 

Pergunto-me em que momento a serenidade do estoicismo se terá tornado um exclusivo do clin d'oeil da meditação zen e do yoga prêt-à-porter do ocidental à procura de uma portinha para descansar dos fumos e das atribulações. Pergunto-me ainda sobre o momento em que a tolerância de Voltaire se transformou num discurso máscara para o exterior, enquanto se prepara a vendetta, na sombra de uma suposta maturidade, pessoal e civilizacional.

Não me levem a mal, eu só queria ser tolerante, sereno e mudar radicalmente. Mas maduro é que não. Reservo, por enquanto, tal qualidade às frutas que, de tão tolerantes, ora se apresentam no grau mais elevado da sua doçura, ora enegrecem e se preparam para desaparecer, lançadas à terra.

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